segunda-feira, 30 de janeiro de 2006



Rosa Passos

Dona de um swing extraordinário, a baiana Rosa Passos é considerada pelos aficionados como a versão feminina de João Gilberto. Como o cantor, Rosa possui uma voz cálida, doce, afinadíssima. Sua simpatia e criatividade converteram-na em uma das maiores estrelas da moderna MPB, com influências do jazz e do samba.
A fama de Rosa Passos cresceu a partir do CD Curare (1991), quando se aproxima definitivamente do repertório de bossa nova, gravando temas de Tom Jobim como "Dindi", "A felicidade" e "Só danço samba". Desde então vem realizando turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão com um extenso repertório de temas próprios e interpretações de clássicos como Gilberto Gil, Djavan, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Edu Lobo, etc.
Em suas gravações e shows conta com a participação de músicos como Ivan Lins, Chico Buarque, Yo-Yo Ma e Ron Carter. Seu último CD, Amorosa (Sony Classical/2004, é uma homenagem a João Gilberto, com participações de Henri Salvador e Paquito D'Rivera.


Simone Guimarães
Biografia


A cantora, compositora e instrumentista Simone Guimarães nasceu em Santa Rosa de Virtebo, no interior de São Paulo, na fronteira com Minas Gerais. Em sua formação musical, teve influências de Tom Jobim e Villa-Lobos e suas composições variam do estilo regional ao erudito, da seresta à bossa nova. Como compositora, emplacou músicas em trilhas sonoras na televisão. O primeiro CD solo, lançado em 1996, foi resultado de uma pesquisa em torno do fenômeno da piracema. Participou do Songbook Tom Jobim, interpretando a música "Pato Preto", que fez parte do último disco lançado por Tom, "Antônio Brasileiro". Em parceria com dois violonistas — Olmir Stoker, o Alemão, e Zezo Ribeiro — gravou o disco, aínda inédito, "Cordas Versos Cordas", em 1996. No ano seguinte veio o lançamento de "Cirandeiro", pelo qual recebeu duas indicações para o Prêmio Sharp, nas categorias Melhor Cantora e Melhor Arranjo. O terceiro disco, "Aguapé", 1998, teve as participações de Elba Ramalho, Ivan Lins, Danilo Caymmi, Zé Renato e Maurício Maestro, nomes que incentivaram sua carreira. Num show que fez no Rio, em 1998, Simone Guimarães recebeu para uma canja improvisada o cantor Milton Nascimento, que estava na platéia e declarou ao final: “Não tem pra ninguém. Simone é o que de melhor eu escutei nos últimos anos." A dobradinha com o cantor foi repetida nas apresentações do show "Crooner" de Milton, em que ela apresentou-se ao lado dele para interpretar "Para Lennon e McCartney". No Songbook Chico Buarque, fez um duo com o guitarrista Hélio Delmiro, na música Desencontro. Com Sérgio Natureza compôs "O de casa", gravada por Ivan Lins CD "Um Novo Tempo".

domingo, 15 de janeiro de 2006

"O que falta pra quem faz um samba
É a tristeza que vem de outro tempo
Quem não sabe a ciência do samba
Vai fazer o que pede o momento"

O Lamento do Samba

Paulo César Pinheiro
Um dos maiores Letristas brasileiros, compositor e poeta.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

A magia da voz

Em CD e show, Roberta Sá se impõe como uma das melhores intérpretes de sua geração
LUÍS ANTÔNIO GIRON


Roberta Sá possui uma estranha peculiaridade: sua beleza física é camaleônica, jamais parece exibir o mesmo rosto ou o mesmo corpo. Não apenas em fotos. Quando essa potiguar de 24 anos, alta e (agora) esquálida, sai por instantes da mesa em São Paulo onde conversa com ÉPOCA e volta, já parece outra. A persona fluida faz com que se comporte ora como garota mimada da zona sul carioca (solteira, desde os 15 anos mora no Leblon com a mãe e o padrasto), ora como nordestina incisiva. ''Não sei por quê'', comenta com sorriso largo. ''Nunca pareço igual...''
A moça, porém, conserva um traço distintivo: a voz. Exibe um timbre nítido, desembaraço no fraseado e uma espontaneidade capazes de arrebatar os músicos com quem trabalha ou que ouviram suas primeiras gravações. Entre eles, Paulinho da Viola e Elton Medeiros derramam-se em elogios à estreante. ''Ela escolheu o caminho mais difícil'', diz Medeiros. ''Interpreta composições que exigem alto grau de musicalidade.''
Esse dom se faz sentir no CD de estréia, o extraordinário Braseiro, lançado em show no Rio de Janeiro, na semana passada. O espetáculo continua nas quartas-feiras dias 20 e 27. Para realizá-lo, Roberta consome-se em ensaios. Nos últimos dias, conta, emagreceu 4 quilos, só pensando no show - o que provoca alterações profundas em sua aparência, diversa da estampada na capa do disco. ''O problema é que sou perfeccionista e não descanso.'' Seu gosto vai de bossas (''Eu Sambo Mesmo'', de Janet de Almeida) a músicas ainda mais difíceis, como os sambas ''Pelas Tabelas'' (Chico Buarque) e ''No Braseiro'', que Pedro Luís, outro fã, compôs para ela. Para ter uma idéia de seu canto, basta imaginar um amálgama que contenha Marisa Monte e Gal Costa, com doses maiores de jovialidade, punch e notas graves. ''É uma intérprete requintada'', analisa Rodrigo Campello, diretor do show e produtor do disco. ''Seus vibratos seguem a melhor escola brasileira.''


Roberta Varella Sá sempre cantou, mas deu o salto ao estudar técnica vocal. Em Natal, onde nasceu, ouvia os sambas favoritos da mãe, embora o pai, o político Múcio Sá, preferisse Beatles. Aos 18 anos, morou no Missouri, num programa de intercâmbio, e lá foi contralto num coral. De volta ao Rio, fez aulas de canto, enquanto estudava Jornalismo e trabalhava como balconista de uma loja de grife. Curiosamente, a carreira começou no reality show Fama, em 2002. ''Fiz o teste só para ver.'' Passou e participou do programa, mas foi eliminada numa semifinal. ''Era uma novela. Eu fazia a princesinha.'' Jura que não sabia cantar, mas conheceu na ocasião o professor Felipe Abreu.
Irmão de Fernanda Abreu, Felipe incentivou Roberta a gravar uma fita demo e a fazer o primeiro show, no Mistura Fina. No fim de 2003, Roberta levou uma fita a Gilberto Braga, que escrevia a novela Celebridade. O autor gostou da voz e a convidou a gravar o samba ''A Vizinha do Lado'' (Dorival Caymmi), prefixo de Juliana Paes. Rodrigo Campello produziu e arranjou a faixa. A música fez tamanho sucesso que lhe rendeu o convite para gravar. Braseiro tem participações de Pedro Luís, Ney Matogrosso e MPB4 e virou um êxito de crítica, para a surpresa da cantora. Planeja agora uma turnê para conquistar o público. ''Será uma anti-superprodução'', brinca. Séria: ''Estou no começo. Não sei como será''. Mesmo sem querer, Roberta já se impõe, segundo os especialistas, como o timbre canônico de sua geração. E reúne arte para se converter numa das intérpretes mais puras da MPB atual. Sua voz revela identidade de estrela.
MANIVA - Novo cd de Nilson Chaves

CD "MANIVA" Produção Musical:Zeca Baleiro e Nilson Chaves Participações Especiais: Chico Cesar, Paulinho Moska, Zeca Baleiro, Flavio Venturini, Celso Viáfora, Vital Lima,Jean Garfunkel,Tuco Marcondes e Toninho Ferragutti. Já experimentou espremer na mão uma folha de maniva e depois cheirar? Ou então, passar por uma cozinha onde estejam preparando uma maniçoba? E não somente o cheiro, mas a temperatura. Há como uma névoa no ambiente, mágica e a maniçoba, silenciosamente queima, apaixonada. E quanto mais tempo leva na panela, mais apura o paladar. Não há dúvida que a cozinha paraense é a mais genuinamente brasileira, por vir dos índios. Chamam-na de “feijoada paraense”, por admitir temperos e delicias da outra, a africana. Maniva também é veneno. Sua folha larga, da família das euforbiáceas, tem substâncias tóxicas. Por isso, o tempo que passa cozinhando, apurando, para enfim virar o quitute. Seria o “veneno bom”. Assim a música de Nilson Chaves, tão essencialmente paraense e no entanto, admitindo influências de tudo o que há de mais moderno na música mundial. Tal como a folha da maniva, sua música enche o ar de alegria, verdade e sofisticação. Isso mesmo. Quer mais sofisticação do que o lento e cuidadoso preparo de uma maniçoba? E quanto mais o tempo passa, mais Nilson Chaves se posiciona como um dos grandes nomes da música da região amazônica. Um líder que se impõe pela generosidade, pelo respeito aos companheiros, pelo apego à cultura de sua terra. Por isso, ao fazer seu novo trabalho, cercou-se de convidados;todos desfrutando do paladar apurado de sua música, todos inebriados e sendo condimentos essenciais para um resultado final tão saboroso. Se a maniva é veneno bom, que assim seja a música de Nilson Chaves a nos intoxicar de alegria, amor e verdade. A “Maniva” de Nilson Chaves já está pronta e apurando.

fONTE: www.outrosbrasis.com.br
Quem é Ceumar?

Parece que toda música que Ceumar produz vai pra cima, pro céu. Como todas aquelas montanhas de Minas Gerais que apontam pra cima, de onde ela vem. Nasceu em Itanhandú, bem no sul de Minas, quase São Paulo. É mesmo uma mistura de interior de São Paulo e Minas, que é o interiorzão do Brasil. Da moça prendada que pinta e borda. E piano também. Toda família, pelo menos classe média, tinha ou tem um em casa. Mas piano não "anda" por aí. E Ceumar queria andar. E foi, com violão na mão. Passou pela capital mineira. Abriu horizontes. Foi uma bela escolha pra começar expandir suas notas musicais. De lá, volta pra terra natal. Depois fica um tempo em Itajubá, também Minas. Respira fundo e vai pro começo... do Brasil. Salvador, moça grande, uns 24 anos, com violão e namorado em punho. Mais um tempo por lá e... Itanhandú, sempre. Mais uma boa respirada, e vai para São Paulo. Bem mineira, veio chegando devagar, aos poucos, e pelas mãos de amigos. Chegando, chegando, chegou! Lá por 1996 e 1997, na rádio Musical FM, estourou com Dindinha, música de Zeca Baleiro. Estourou assim, daquele jeito possível, entre os interessados que compunham o público da Musical. Lançou o primeiro CD em 2000, com o título "Dindinha". Disputado até hoje. Neste ano de 2003, lançou um trabalho que é um mel. Suave, doce, cheio de proteína musical. Trabalho cuidadoso, logo se vê, ali, na 1ª faixa. Sua sensibilidade, talento, estrela, sei lá, faz ela se aproximar de gente também sensível, grande, astuta, como ela. Estão lá, pelo CD, gente como Kléber Albuquerque, Tata Fernandes, Gero Camilo, Carlos Zimbher. Músicos, do mesmo tamanho, grandes, de primeira. Gigante Brasil, Swami Jr., Webster Santos, Lelena Anhaia, tantos mais. Uma doçura. Essa menina moça, personalíssima, é, ao mesmo tempo, voz, composição, harmonia e violão. Sabe tudo. Arranjo, anjo da canção.

Fonte: Página da música
Yamandu Costa Ao Vivo (DVD)

Yamandu CostaPrimeiro DVD do violonista apresenta composições próprias e temas de Baden, Caetano, Radamés, Django Reinhardt Maior revelação do violão brasileiro nos últimos anos, o gaúcho Yamandu Costa lança seu primeiro DVD, pela Biscoito Fino.

Gravado ao vivo no Sesc Pompéia, em São Paulo, no mês de abril de 2005, o DVD apresenta o jovem – e já consagrado – instrumentista em sua melhor forma. As imagens captam o músico quase na penumbra, extraindo a luminosidade através das notas do violão virtuoso, em duas composições de sua autoria, Aurora e Tareco Número 2. É a senha para Yamandu chamar ao palco Eduardo Ribeiro, na bateria, e Tiago Espírito Santo, no contrabaixo, amigos de longa data, da época em que Yamandu mudou-se de Porto Alegre para São Paulo, há cerca de cinco anos. O trio interpreta a Valsa Número 1, de Baden Powell, em versão repleta de improvisos, com sotaque jazzístico, seguida por mais duas composições de Yamandu: Paz de Maria, em clima de bossa, e a (pro)fusão rítmica de Besteira, antes do solo de Susto, batizada em pleno palco do Sesc Pompéia. Na seqüência, Yamandu convoca o conterrâneo Guto Virti, no contrabaixo acústico, para redimensionar as raízes sulistas em Tango Amigo, de sua lavra mais recente. Toninho Ferraguti é o convidado da faixa seguinte, acrescentando seu acordeom a Sanfonema, em trio, e também a Chamamé, em dueto. O baterista Eduardo Ribeiro e o baixista Tiago Espírito Santo juntam-se à dupla Yamandu e Ferraguti para interpretar um dos movimentos da Suíte Retratos, de Radamés Gnattali, em homenagem a Pixinguinha. Dos mestres do choro ao mestre das cordas: Yamandú recria, ao lado de Ribeiro e Espírito Santo, Nuages do guitarrista cigano Django Reinhardt. O trio explora todas as semifusas de Taquito Militar, do argentino Mariano Mores, antes de reinventar o samba Vou Deitar e Rolar, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, numa performance monumental. O show termina ao ritmo de Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré, plena de efeitos sonoros e percussivos. Os extras mostram Yamandu conversando com Hermeto Paschoal na Holanda; tocando com Armandinho em um programa de TV na Bahia; revisitando o acordeom num camarim em SP; experimentando violões na Espanha, além de fotos e imagens de sua carreira.

Fonte: www.biscoitofino.com.br
Olá Pedro, sou sua fã, ou melhor do programa, desde ele programa acontecia aos domingos. Fico muito feliz a cada segunda-feira, afinal é o unico programa que prestigia a boa música e não corro o risco de ouvir as repetitivas músicas de todos os horários.Gosto muito de ouvir "Clube da esquina II"inclusive tenho feito pesquisas sobre o "Clube da esquina"eles são demais. Também curto ouvir aquele antigo tema do programa que é uma delicia para ouvir é uma alívio para alma.

Vita andrade

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005


CD - De uns Tempos pra cá
Chico César

Chico César lança seu primeiro disco pela Biscoito Fino com produção de Lenine e participação de Elba Ramalho e Quinteto da Paraíba.

De uns tempos pra cá me tornei um artista razoavelmente conhecido em alguns circuitos, dentro do meu país e fora dele. À minha revelia, mas também com minha anuência, determinados aspectos da música que faço se tornaram mais visíveis que outros. Não é que eu queira me queixar. Nem poderia, num momento em que uma das principais queixas de muitas pessoas (artistas inclusive) é a invisibilidade. Não de partes. Mas a invisibilidade total delas, e de sua produção. Ser em parte conhecido, visível, ou conhecido em partes já aparenta alguma vantagem. Principalmente quando se tem, quando se criam ou se conquistam as condições de iluminar o que antes já existia mas não podia ser percebido em plenitude. Ou era simplesmente ignorado. É o que acontece comigo agora com o lançamento deste De uns Tempos pra cá, ao qual me entreguei com a alegria e a inquietação que apenas a liberdade criativa possibilita. Retribuí o convite da Biscoito Fino com canções e interpretações estritamente autorais e que só poderiam estar neste disco. Em nenhum outro, apesar das músicas já existirem muito antes que ele fosse imaginado. O desejo de gravá-las neste formato camerístico com o inquieto Quinteto da Paraíba é que norteia o disco. De uns tempos pra cá se passaram 10 anos do Aos Vivos, meu primeiro disco. De uns tempos pra cá já são 20 anos de Sudeste pra mim. Mas mesmo antes disso o disco começa. A canção Utopia, por exemplo, é do princípio dos anos 80. Do meu tempo da faculdade de jornalismo em João Pessoa na Universidade Federal da Paraíba. Época de greves e passeatas. Que eu me lembre é uma espécie de comentário irresignado sobre a não-aprovação das eleições diretas para presidente pelo Congresso Nacional. A melodia de Por Causa de um Ingresso do Festival Matou Roqueira de 15 anos é ainda anterior: de 1983. E o título eu roubei mais tarde de uma manchete do jornal O Dia sobre o primeiro Rock in Rio, ao passar pela capital carioca no começo de 1985. Morava em Barra Mansa e estava a meio caminho para São Paulo. A letra é bem recente, deste ano. Convidei duas importantes e fundamentais influências que a paraibanidade me proporcionou: Elba Ramalho e Pedro Osmar. Ela: musa agreste, retirante, vidente, incômoda em sua nordestinidade. Ele: quase invisível, multiartista a insuflar inquietação e sede de conteporaneidade sem peias a seus pares há três décadas. Pra Cinema é uma melodia do fim dos anos 80. Eu já morava então em São Paulo e estudava na escola do Zimbo Trio, a convite do pianista Amílton Godói. A versão instrumental de Autumm Leaves começou a nascer nessa época, dos estudos com o violonista argentino Conrado Paulino. A letra é de 2004. Passou a se chamar Outono Aqui, por sugestão do cantor paulistano Carlos Fernando, que também corrigiu-me a respeito da excessiva melancolia nordestina em relação ao outono. De uns tempos pra cá tem em comum com outros álbuns meus o fato de que nenhuma canção foi feita para o disco em si. Alcaçuz é de 1998 e já foi gravada por Vânia Abreu. Orangotanga é de 2000 e deu nome a uma turnê européia. Quem faz a percussão aí é meu amigo de infância Escurinho, pernambucano radicado na Paraíba desde criança. Moer Cana, Por que Você não Vem Morar Comigo e a canção-título são de 2003. A canção mais recente é 1 Valsa p/ 3, a única em parceria, com letra minha sobre melodia de Chico Pinheiro. A Nível de, uma das minhas preferidas entre as muitas parcerias de João Bosco e Aldir Blanc, eu já havia gravado pro songbook de João Bosco a convite do saudoso Almir Chediak. Mantive “aquela guitarra” que João gostou tanto e fiz uma nova voz. Proveta e sua turma deram um banho com os únicos metais do disco. E aí está. O ano passado, a TV Educativa do Rio me convidou para cantar Cálice, de Gilberto Gil e Chico Buarque, num show com músicas que tiveram problemas com a censura na época da ditadura militar. Decidi regravá-la. É doloroso perceber que esta canção não perdeu atualidade. Mesmo de tons mais densos, não é de melancolia que quer falar o disco. Mas ela está aí. Pra mim é como se ele começasse escuro, numa sessão maldita de cinema à meia-noite. Atravessa uma longa madrugada, clareia aos poucos e termina encandeado de sol tropical ao meio-dia, numa mistura de feijoada e rave. Claro que não é a única leitura possível, e essa talvez seja otimista demais. É na verdade como ele nasceu em mim e aí tomou corpo, de uns tempos pra cá.

Chico César
Fonte: Biscoito Fino

Sérgio Santos

“Desde muito tempo existe a lenda de que não há renovação na música popular brasileira. De que os grandes autores pararam no tempo, de que não existem mais Jobins, Miltons, Doris, Edus, etc. Pois preparem seus ouvidos que aí está Sérgio Santos”. A cantora e compositora Joyce falou e disse. Sérgio Santos está aí para provar que a MPB está se renovando, e com altíssima qualidade.Mineiro de Varginha, Sérgio começou sua carreira musical participando como cantor do espetáculo Missa dos Quilombos, de Milton Nascimento, em 1982. A partir daí aprofundou seus conhecimentos musicais como violonista, intérprete, arranjador e compositor. Venceu alguns dos mais importantes festivais de música do Brasil até que, em 1991, conheceu aquele que se tornaria seu grande parceiro – o poeta Paulo Cesar Pinheiro – com quem compôs cerca de 180 músicas. Obra esta que já foi cantada por Milton Nascimento, Leila Pinheiro, Joyce, Olivia Hime, Sá e Guarabira, entre outros.Em 1996 Sérgio Santos foi indicado ao Prêmio Sharp, maior prêmio da música brasileira, pelo seu primeiro CD Aboio (95). Em 1999 se apresentou no Hollywood Bowl – um dos templos sagrados da música americana – em espetáculo elogiadíssimo pela crítica local. Em 2002, lançou pela Biscoito Fino o CD Áfrico – uma obra-prima da música contemporânea brasileira. Dois anos depois, em 2004, lançou Sérgio Santos, também pela Biscoito Fino, só com composições suas, a maioria em parceria com Paulo César Pinheiro. Uma delas, Paixão Bandida, ganhou um terceiro parceiro, Francis Hime.

Fonte: Biscoito Fino
Mônica Salmaso

Nascida em São Paulo em 1971, Mônica Salmaso começou sua carreira na peça O Concílio do Amor dirigida pelo premiado diretor Gabriel Villela em 1989. Desde então, tem gravado e se apresentado com importantes artistas brasileiros como Paulo Bellinati, Edu Lobo, Eduardo Gudin, José Miguel Wisnik, Marlui Miranda, Guinga, Nelson Ayres e a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, entre outros.Em 1995, gravou o CD Afro Sambas , um duo de voz e violão arranjado e produzido pelo violonista Paulo Bellinati, contendo todos os afro-sambas compostos por Baden Powell e Vinicius de Moraes. Este CD foi relançado em 2000 pelo selo Pau Brasil. Em 1996, gravou com Paulo Bellinati a faixa Felicidade de Tom Jobim e Vinicius de Moraes no CD Song Book de Tom Jobim.Foi indicada para o Prêmio Sharp em 1997 como Revelação na categoria MPB. Lançou, em 1998, seu segundo CD, Trampolim, pelo selo Pau Brasil, com a produção de Rodolfo Stroeter e as participações de Naná Vasconcelos, Toninho Ferragutti e Paulo Bellinati, entre outros. Mônica Salmaso lançou seu primeiro CD pela Biscoito Fino em março de 2004.

Fonte: Biscoito Fino

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Terra
Caetano Veloso

Quando na prisão Caetano recebeu de sua então mulher Dedé a revista Manchete com as primeiras fotografias da terra, tiradas de grande distância, foi tomado de forte emoção, ao mesmo tempo em que refletia sobre a ironia de sua situação, conforme registrou no livro Verdade tropical: “Preso numa cela mínima, Admirava as imagens do planeta inteiro, visto do amplo espaço.” A força daquela impressão determinaria, quase dez anos depois, a feitura de uma canção cuja a letra começa referindo-se ao fato (“Quando eu me encontrava preso”) seguindo-se divagações poéticas sobre a Terra, intercaladas pelo refrão(“Terra,Terra/ por mais distante/ o errante navegante/ quem jamais te esqueceria”) várias vezes repetidos. Os versos finais da composição são cantados sobre uma melodia que, embora diferente, reproduz uma divisão muito próxima à do final da segunda parte de “Você já a Bahia”, de Dorival Caymmi: “...tudo, tudo na Bahia / faz a gente querer bem / a Bahia tem um jeito...” Neste ponto Caymmi arremata: “que nenhuma terra tem”, com a palavra “tem” sobre a tônica, enquanto Caetano retoma o refrão”terra, terra...” Tranqüila faixa de abertura do citado álbum Muito, “Terra” é uma das melhores canções de Caetano no final dos anos setenta.

FONTE: A Canção no Tempo de Jairo Severiano & Zuza Homem de Mello.

Faça o seu jogo
Lô Borges – Márcio Borges
Canta: 14 BIS

Jogue sua vida na estrada
Como quem não quer fazer nada
Ouça bem as vozes do mato
Como quem abriu o seu coração.

Eu sonhei outro mundo, meu amor
E a paz morava na nossa casa
Mil pessoas como nós
Sem palavras por viver.

Sonhei que era tempo de reencontrar amigos
Falar do velho tempo morto que passou depressa
Sonhei que amanhã é hora de você jogar.

Jogue sua vida na estrada
Como quem não quer fazer nada
Ouça bem as vozes do mato
Como quem abriu o seu coração
.

Samba do Avião
Tom Jobim

Por toda a vida, Tom Jobim conservou um medo enorme de avião. Em sua primeira viagem para Nova York, por exemplo, o embarque teve lances de dramática indecisão, só se realizando depois que o amigo Fernando Sabino o convenceu de que o avião não iria cair. Sentia assim o maestro uma sensação de alivio nos momentos de chagada, quando sabia que em poucos minutos estaria são e salvo, pisando em terra firme. Toda essa alegria ele procurou transmitir no “Samba do Avião” em que, além de descrever a aterrissagem no aeroporto do Galeão, faz uma singela declaração de amor ao Rio de Janeiro – “Este samba é só porque / Rio eu gosto de você”. Como não poderia deixar de ser, a canção descreve a paisagem vista de cima, contrastando com outros postais musicais cariocas. Com numerosa discografia nacional e internacional, “Samba do Avião” tornou-se um clássico da MPB.

FONTE: A Canção no Tempo de Jairo Severiano & Zuza Homem de Mello.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005



TODO DESCUIDO TEM SEU PREÇO
Caetano Veloso
João Valentão
Dorival Caymmi

João Valentão
é brigão
Pra dar bofetão,
não presta atenção
e nem pensa na vida.
A todos João intimida
faz coisas que até Deus duvida;
mas...tem seu momento na vida...

É quando o sol vai quebrando,
lá pro fim do mundo,
pra noite chegar.
É quando se ouve mais forte
o ronco das ondas na beira do mar.
É quando o cansaço da lida da vida
obriga João se sentar.
É quando a morena se encolhe,
se chega pro lado querendo agradar.

Se a noite é de lua
a vontade é contar mentira
é se espreguiçar...
Deitar na areia da praia
que acaba onde a vista não pode alcançar...
E assim adormece esse homem
que nunca precisa dormir
pra sonhar,
porque não há sonho mais lindo
do que sua terra,
não há.
Vou-me embora prá Passárgada
Gilberto Gil – Manuel Bandeira

Vou-me embora prá Passárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora prá Passárgada

Vou-me embora prá Passárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contra parente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d`agua
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora prá Passárgada

Em Passárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar

-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora prá Passárgada

segunda-feira, 21 de novembro de 2005



A gente leva da vida
a vida que a gente leva.

Fátima Guedes
Cruzada
Tavinho Moura – Márcio Borges

Não sei andar sozinho por essas ruas
Sei do perigo, que nos rodeia pelos caminhos
Não há sinal de sol
Mas tudo me acalma
No seu olhar

Não quero ter mais sangue morto nas veias
Quero o abrigo, do teu abraço que me incendeia
Não há sinal de cais
Mas tudo me acalma
No teu olhar

Você parece comigo
Nenhum senhor te acompanha
Você também
Se dá um beijo dá abrigo
Flor nas janelas da casa
Olho no seu inimigo
Você também
Se dá um beijo dá abrigo
Se dá um riso dá um tiro

Não quero ter mais sangue morto nas veias
Quero o abrigo
Da sua estrela
Que me incendeia
Não há sinal de paz
E tudo me acalma no seu olhar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

HISTÓRIA DA MÚSICA - MPB

“Beco do Mota” e “Sentinela” foram dois temas escritos por Fernando Brant sobre melodias de Bituca(Milton Nascimento), inspirados em Diamantina, terras dos Brant. Beco do Mota era a estreita viela que abrigara os antigos puteiros. Estes, por estarem em frente a igreja matriz, haviam sido desocupados à força por ordem de um arcebispo ultra-reacionário.

Fonte: Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina de Márcio Borges.

Beco do Mota
Milton Nascimento e Fernando Brant

Clareia na noite, na noite
Procissão deserta, deserta
Nas portas da arquidiocese desse meu País
Profissão deserta, deserta
Homens e Mulheres na noite
Homens e Mulheres na noite desse meu País

Nessa Praça não me esqueço
E onde era o novo fez-se o velho colonial vazio
Nessas tardes não me esqueço
E onde era o vivo fez-se o morto
Aviso pedra fria

Acabaram com o beco
Mas ninguém lá vai morar
Cheio de lembranças vem o povo
Do fundo escuro beco
Nessa clara praça se dissolver

Pedra, padre, ponte, muro
E um som cortando a noite escura
Colonial vazia
Pelas sombras da cidade
Hino de estranha romaria
Lamento água viva

Acabaram com o beco
Mas ninguém lá vai morar
Cheio de lembranças vem o povo
Do fundo escuro beco
Nessa clara praça se dissolver
Profissão deserta, deserta
Homens e Mulheres na noite
Homens e Mulheres na noite desse meu País
Na porta do beco estamos
Procissão deserta, deserta
Nas portas da arquidiocese desse meu país

Diamantina é o Beco do Mota
Minas é o Beco do Mota
Brasil é o Beco do Mota
Viva meu país.