Letra: Românticos
Vander Lee
Românticos são poucos,
Românticos são loucos, desvairados
Que querem ser o outro,
Que pensam que o outro,
É o paraíso.
Românticos são lindos,
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas,
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção.
Românticos são poucos,
Românticos são loucos,
Como eu.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Bandolins
Osvaldo Montenegro.Bandolins foi um presente de aniversário que Osvaldo Montenegro ofereceu a uma amiga bailarina. A intenção era reanimá-la, pois na ocasião a moça estava inconformada por seu namorado ter viajado para França, enquanto ela, menor de idade, fôra impedida de acompanhá-lo. Daí o imaginário pas de deux narrado na letra, que ela dança sozinha: Como fosse um par/ que nessa valsa triste se desenvolvesse/ ao som dos bandolins/ e como não e por que não dizer/ (...) / ela valsando só na madrugada/ se julgando amada/ ao som dos bandolins... Por essa época, Osvaldo já havia gravado o elepê Poeta Maldito... moleque vadio, que apesar da produção caprichada fora um fracasso, pondo em risco sua permanência na gravadora. Em conseqüência, a Warner havia lhe proposto, para continuar, apenas a metade de um compacto simples, que teria na outra face música de um compositor novo, o nada animador João Boa Morte. Osvaldo estava mesmo a ponto de desistir da carreira, quando surgiu a oportunidade de inscrever Bandolins no Festival de 79 de Música Popular da TV Tupi. Na realidade, ele não se sentia muito esperançoso de um bom resultado, expectativa que só piorou quando notou uma tendência de parte do público em favor da emergente vanguarda paulistana de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Os mais radicais haviam chegado a vaiar Caetano Veloso, que defendia Dona Culpa Ficou Solteira, de Jorge Bem. Foi nesse estado emocional que Osvaldo pisou no palco do Anhembi, em São Paulo, para mostrar sua valsa ao lado do amigo José Alexandre. Mas, para sua surpresa, a reação da platéia ao ouvir Bandolins foi altamente positiva, tendo a canção conquistado o terceiro lugar e projetado Osvaldo bem mais até do que dois concorrentes que chegaram à sua frente. Então, além de um compacto inteiro, a Warner deu-lhe o segundo elepê e sua carreira deslanchou. A propósito, esse festival temporão da Tupi – coordenado por Solano Ribeiro, que dirigia festivais na Excelsior e Record – acabou dando visibilidade a artistas em ascensão como Alceu Valença (com Coração Bobo), Elba Ramalho (com América) e a dupla Kleiton e Kledir (com Maria Fumaça).
Fonte: A Canção no Tempo, vol. 2.
Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello
Osvaldo Montenegro.Bandolins foi um presente de aniversário que Osvaldo Montenegro ofereceu a uma amiga bailarina. A intenção era reanimá-la, pois na ocasião a moça estava inconformada por seu namorado ter viajado para França, enquanto ela, menor de idade, fôra impedida de acompanhá-lo. Daí o imaginário pas de deux narrado na letra, que ela dança sozinha: Como fosse um par/ que nessa valsa triste se desenvolvesse/ ao som dos bandolins/ e como não e por que não dizer/ (...) / ela valsando só na madrugada/ se julgando amada/ ao som dos bandolins... Por essa época, Osvaldo já havia gravado o elepê Poeta Maldito... moleque vadio, que apesar da produção caprichada fora um fracasso, pondo em risco sua permanência na gravadora. Em conseqüência, a Warner havia lhe proposto, para continuar, apenas a metade de um compacto simples, que teria na outra face música de um compositor novo, o nada animador João Boa Morte. Osvaldo estava mesmo a ponto de desistir da carreira, quando surgiu a oportunidade de inscrever Bandolins no Festival de 79 de Música Popular da TV Tupi. Na realidade, ele não se sentia muito esperançoso de um bom resultado, expectativa que só piorou quando notou uma tendência de parte do público em favor da emergente vanguarda paulistana de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Os mais radicais haviam chegado a vaiar Caetano Veloso, que defendia Dona Culpa Ficou Solteira, de Jorge Bem. Foi nesse estado emocional que Osvaldo pisou no palco do Anhembi, em São Paulo, para mostrar sua valsa ao lado do amigo José Alexandre. Mas, para sua surpresa, a reação da platéia ao ouvir Bandolins foi altamente positiva, tendo a canção conquistado o terceiro lugar e projetado Osvaldo bem mais até do que dois concorrentes que chegaram à sua frente. Então, além de um compacto inteiro, a Warner deu-lhe o segundo elepê e sua carreira deslanchou. A propósito, esse festival temporão da Tupi – coordenado por Solano Ribeiro, que dirigia festivais na Excelsior e Record – acabou dando visibilidade a artistas em ascensão como Alceu Valença (com Coração Bobo), Elba Ramalho (com América) e a dupla Kleiton e Kledir (com Maria Fumaça).
Fonte: A Canção no Tempo, vol. 2.
Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello
Você Abusou
Antonio Carlos e Jocafi
A dupla baiana Antônio Carlos (Antonio Carlos Marques Porto) e Jocafi (José Carlos Figueiredo) existia havia três anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro, contratada pela RCA em 1971. A mudança deu sorte, pois meses depois eles alcançavam as primeiras colocações nas paradas de sucesso com Você Abusou: Você abusou/ tirou partido de mim, abusou/ tirou partido de mim, abusou/ tirou partido de mim, abusou... Um sambinha desinteressado, que acentua sua despretensão na própria letra (se o quadradismo dos meus versos/ vai de encontro aos intelectos), Você Abusou acabou se tornando uma espécie de composição-padrão no repertório de Antônio Carlos e Jocafi. Esse padrão seria utilizado em sucessos com Desacato e Teimosa, dando, porém, a essas e outras canções uma impressão de repetição, de coisa já ouvida. Mas Você Abusou ultrapassou fronteiras, tendo um sucesso extraordinário na França ( como o título de Fais Comme l’Oiseau) e outros países europeus, sucesso que se estendeu a países asiáticos, como o Japão, onde seus autores ganharam um segundo lugar no World Popular Song Festival, realizado em 1974, com a canção Diacho de Dor. O curioso é que Antônio Carlos e Jocafi parece que não faziam a princípio muita fé em Você Abusou, acreditando mais em Mudei de Idéia, que deu título ao seu primeiro elepê.
Fonte: A Canção no Tempo, vol.2.
Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo
Antonio Carlos e Jocafi
A dupla baiana Antônio Carlos (Antonio Carlos Marques Porto) e Jocafi (José Carlos Figueiredo) existia havia três anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro, contratada pela RCA em 1971. A mudança deu sorte, pois meses depois eles alcançavam as primeiras colocações nas paradas de sucesso com Você Abusou: Você abusou/ tirou partido de mim, abusou/ tirou partido de mim, abusou/ tirou partido de mim, abusou... Um sambinha desinteressado, que acentua sua despretensão na própria letra (se o quadradismo dos meus versos/ vai de encontro aos intelectos), Você Abusou acabou se tornando uma espécie de composição-padrão no repertório de Antônio Carlos e Jocafi. Esse padrão seria utilizado em sucessos com Desacato e Teimosa, dando, porém, a essas e outras canções uma impressão de repetição, de coisa já ouvida. Mas Você Abusou ultrapassou fronteiras, tendo um sucesso extraordinário na França ( como o título de Fais Comme l’Oiseau) e outros países europeus, sucesso que se estendeu a países asiáticos, como o Japão, onde seus autores ganharam um segundo lugar no World Popular Song Festival, realizado em 1974, com a canção Diacho de Dor. O curioso é que Antônio Carlos e Jocafi parece que não faziam a princípio muita fé em Você Abusou, acreditando mais em Mudei de Idéia, que deu título ao seu primeiro elepê.
Fonte: A Canção no Tempo, vol.2.
Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Show de Ney Conceição em Santarém para o lançamento de seu DVD "Com Vinte". Apesar da fraca divulgação nos meios de comunicação e, graças as ligações de amigos para amigos o show teve presença boa no Mirante. É a segunda vez que Ney vem a Santarém, esteve por aqui, trazido pela Fábrica de Produções em maio de 2007. Desta vez veio com Ney, além de Célio Vulcão: Teclados (Santareno), José Arimatéia :trompete e flugel e Kiko Freitas : Batera(Fantástico batera).
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Menina
Paulinho Nogueira.
Faltava somente uma faixa para completar o elepê Paulinho Nogueira canta suas composições, quando o produtor Júlio Nagib marcou sua gravação para o dia seguinte, procurando ganhar tempo para lançar o disco antes do Natal de 69. Então, sob pressão, o violonista lembrou-se de um tema que criara para o filme “Meu Nome é Tonho”, de Ozualdo Candeias, aproveitando-lhes os compassos iniciais como ponto de partida para nova composição. Cansado de “fazer” meninos, já que seus sucessos anteriores chamavam-se “Menino, Desce Daí”, “Menino Jogando Bola” e “Quando o Menino Crescer”, ele resolveu desta vez fazer uma menina, o que até lhe pareceu mais fácil, pois em quinze minutos aprontou-lhe a letra: “Menina que um dia conheci criança/ me aparece assim de repente/ linda, virou mulher/ menina como pude te amar agora/ te carreguei no colo menina...” Terminada a gravação, Paulinho não acreditava muito em suas possibilidades de sucesso, uma vez que, em razão da urgência do produtor, nem tivera tempo de preparar uma harmonia caprichada. Mas, contrariando a expectativa, “Menina” logo começou a ser tocada intensamente nas rádios, inclusive no Rio, onde o apresentador Adelzon Alves entrevistou o autor em seu programa, tendo na ocasião repetido a canção uma dúzia de vezes. Estimulada pela venda do elepê, RGE lançaria “Menina” também em compacto, tornado-se esta composição o maior sucesso de Paulinho Nogueira, com gravações na França e na Itália. Para completar, seriam ainda incluídos na trilha sonora da telenovela “Irmãos Coragem”. Exímio violonista, professor de artistas como Toquinho, entre outros, Paulinho Nogueira é conhecido também pela autoria de um importante método de violão. de partida para nova composiços inicais como pontoa lançar o disco antes do Natal de 69.
Fonte: A Canção no Tempo, vol.1
Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Gostava Tanto de Você
Edson Trindade
Edson Trindade
No final dos anos cinqüenta havia na Tijuca (bairro do Rio), mais precisamente na Rua do Matoso, um grupo de rapazes que adorava rock and roll, a grande novidade musical da época. Desse grupo nasceria o conjunto The Snacks depois chamado de The Sputnicks, ponto de partida para o estrelato dos futuros ídolos Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Tim Maia. Completavam The Snacks – nome inspirado pelo Snack Bar, local de reunião de lambretistas, em Copacabana – os jovens China, Arlênio e Edson Trindade, autor de “Gostava Tanto de Você”. Com uma letrinha romântica, bem lugar-comum (“Nem sei por que você se foi/ quantas saudades eu senti/ quantas tristezas vou viver/ e aquele adeus não pude dar...”), a composição deve muito de seu êxito à feição que lhe imprimiu Tim Maia, tornando-a uma autêntica precursora do chamado samba-funk. Embora só viesse a ser gravada em 1973, “Gostava Tanto de Você” “é do tempo da turma da rua do Matoso”, assegura Marlene Gomes de Almeida que conviveu com o grupo e foi a primeira namorada de Tim Maia. De comportamento irreverente como o do amigo Tim, Trindade morreu em 05.02.93.
Fonte: A Canção no Tempo
Jairo Severiano e Zuza Homen de Mello
Só Quero um Xodó
Dominguinhos e Anastácia.
Na retomada da carreira, após o exílio londrino, Gilberto Gil incluiria em seu repertório algumas músicas de autores nordestinos cultuados pelo gosto popular. Gravaria assim o excelente “Só Quero um Xodó”, de Dominguinhos e Anastácia, xote que o traria de volta aos primeiros postos das paradas de sucesso, depois de quatro anos. Esta composição nasceu em plena Rua Amaral Gurgel em São Paulo, quando, caminhando com sua então mulher Anastácia, Dominguinhos começou a assoviar uma melodia que lhe veio à cabeça. Ao chegarem em casa, só estava faltando a letra que Anastácia escreveu em poucos minutos: “Que falta eu sinto de um bem/ que falta me faz um xodó/ mas como eu não tenho ninguém/ eu levo a vida assim tão só...” Então, “Só Quero um Xodó” foi gravado pela cantora nordestina Marines, com a introdução definitiva, composta no estúdio, mas com andamento apressado de um arrasta-pé. Descoberto por Gilberto Gil nos ensaios para o show do Midem, em Cannes, em que cantou com Gal e Dominguinhos, “Só Quero um Xodó” seria por ele relançado num ritmo de xote, mais lento, com sua voz cantando na introdução, junto à sanfona, sílabas semelhantes a sons de idiomas africanos (a-sá-rá-iê...). As repetições dessa introdução como uns interlúdios, após cada volta, produziram um efeito original e atraente, valorizado pelas melodiosas intervenções da sanfona de Dominguinhos. Na verdade, Gil fez render ao máximo a simplicidade rústica da composição, com sua habitual competência para entender e enriquecer músicas alheias (do que também é exemplo “Não Chore Mais [No Woman, No Cry]”, em 1979). Editado num compacto, juntamente com o samba “Meio de Campo”, dedicado ao jogador Afonsinho, “Só Quero um Xodó” alcançaria o sucesso três meses depois. Quando passou a ser “música de trabalho” nas emissoras de rádio. No mesmo clima, Gilberto Gil gravaria “Tenho Sede” (Dominguinhos e Anastácia) e “Lamento Sertanejo” (letra sua sobre melodia de Dominguinhos feita em 1967), faixas do álbum Refazenda, em 1975.
Fonte: A Cançao no Tempo
Jairo Severiano e Zuza Homem deMello
Foi um Rio que Passou em Minha Vida (samba)
Paulinho da Viola.
A história de “Foi um Rio que Passou em Minha Vida” tem muito a ver com a de outro samba famoso, “Sei Lá Mangueira”, musicado por Paulinho da Viola que, para amaciar corações portelenses magoados com a sua homenagem à escola rival, compôs este canto de amor e fidelidade à sua querida Portela: “Ah, minha Portela/ quando vi você passar/ senti meu coração apressado/ todo meu corpo tomado/ minha alegria voltar/ não posso definir aquele azul/ não era do céu/ não era do mar/ foi um rio que passou em minha vida/ e o meu coração se deixou levar.” Um dos mais talentosos integrantes da geração de sambistas revelada, como foi dito, nos anos sessenta, Paulinho da Viola recebeu influencias diretas de compositores tradicionais, como Cartola, que desenvolve à sua maneira, modernizando-as sem desfigurá-las. Isso pode ser observado em composições como “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”, o samba que consolidou o seu prestígio de cantor e compositor.
Fonte: A Cançaõ no Tempo
Jairo Severiano e Zuza Homen de Mello
terça-feira, 15 de maio de 2007
Yamandú Costa + Dominguinhos CD
Apresentação
Yamandú Costa, maior revelação do violão brasileiro nos últimos anos se une à consagrada sanfona de Dominguinhos Ao reunir Yamandú Costa e Dominguinhos no estúdio para a gravação de um CD, o produtor musical José Milton tinha uma intenção bem definida: deixar os dois músicos tocarem o que tivessem vontade, sem estarem presos ao estilo de um ou de outro. Conseguiu. O gaúcho de Passo Fundo e o pernambucano de Garanhuns, que haviam tocado juntos apenas uma vez, se deram tão bem que até viraram parceiros ali na hora, quando Dominguinhos completou um tema iniciado por Yamandú, ao qual deram o título de Bonitinho. O trabalho se desenrolou de forma tão harmoniosa que foi editado praticamente na ordem em que foi gravado. Cada um escolheu o que gostaria de tocar, ambos conhecendo as harmonias e tessituras de cada música. A única sugestão do produtor foi Molambo (Jayme Florence/Mesquita), que ele sabia que os dois músicos já tinham tocado juntos. O resto do repertório veio na intuição, dentro do estúdio, gêneros variados e compositores mais ainda. Além de composições dos dois músicos, o CD tem também Tom Jobim, Sivuca, Abel Ferreira, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Waldir Azevedo, Pedro Raimundo e Humberto Teixeira, Custódio Mesquita e Sadi Cabral. O CD, que ganhou o nome de Yamandu+Dominguinhos, está sendo lançado pela Biscoito Fino e é o terceiro trabalho de Yamandú na gravadora, e o segundo de Dominguinhos. “Foi Yamandú quem me pediu que falasse com Dominguinhos, já que tinha produzido o CD dele com Sivuca e Oswaldinho”, lembra José Milton. “Quando a gravação acabou, Dominguinhos se mostrou encantado com a química que tinha rolado entre os dois”. Gravado de forma analógica no estúdio Cia. Dos Técnicos, em janeiro de 2007, o CD ficou pronto em cinco dias: “O encontro de dois gênios criadores”, enfatiza José Milton, “em que nenhum quis aparecer mais do que o outro, evitando virtuosismos”. Ficam bem claras no CD as sonoridades gaúcha do violão de Yamandú, e a nordestina da sanfona de Dominguinhos. O sul e o nordeste em perfeita harmonia.
Fonte: BISCOITO FINO
Apresentação
Yamandú Costa, maior revelação do violão brasileiro nos últimos anos se une à consagrada sanfona de Dominguinhos Ao reunir Yamandú Costa e Dominguinhos no estúdio para a gravação de um CD, o produtor musical José Milton tinha uma intenção bem definida: deixar os dois músicos tocarem o que tivessem vontade, sem estarem presos ao estilo de um ou de outro. Conseguiu. O gaúcho de Passo Fundo e o pernambucano de Garanhuns, que haviam tocado juntos apenas uma vez, se deram tão bem que até viraram parceiros ali na hora, quando Dominguinhos completou um tema iniciado por Yamandú, ao qual deram o título de Bonitinho. O trabalho se desenrolou de forma tão harmoniosa que foi editado praticamente na ordem em que foi gravado. Cada um escolheu o que gostaria de tocar, ambos conhecendo as harmonias e tessituras de cada música. A única sugestão do produtor foi Molambo (Jayme Florence/Mesquita), que ele sabia que os dois músicos já tinham tocado juntos. O resto do repertório veio na intuição, dentro do estúdio, gêneros variados e compositores mais ainda. Além de composições dos dois músicos, o CD tem também Tom Jobim, Sivuca, Abel Ferreira, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Waldir Azevedo, Pedro Raimundo e Humberto Teixeira, Custódio Mesquita e Sadi Cabral. O CD, que ganhou o nome de Yamandu+Dominguinhos, está sendo lançado pela Biscoito Fino e é o terceiro trabalho de Yamandú na gravadora, e o segundo de Dominguinhos. “Foi Yamandú quem me pediu que falasse com Dominguinhos, já que tinha produzido o CD dele com Sivuca e Oswaldinho”, lembra José Milton. “Quando a gravação acabou, Dominguinhos se mostrou encantado com a química que tinha rolado entre os dois”. Gravado de forma analógica no estúdio Cia. Dos Técnicos, em janeiro de 2007, o CD ficou pronto em cinco dias: “O encontro de dois gênios criadores”, enfatiza José Milton, “em que nenhum quis aparecer mais do que o outro, evitando virtuosismos”. Ficam bem claras no CD as sonoridades gaúcha do violão de Yamandú, e a nordestina da sanfona de Dominguinhos. O sul e o nordeste em perfeita harmonia.
Fonte: BISCOITO FINO
segunda-feira, 27 de março de 2006
Arquitetura da Flor - Francis Hime
Compositor apresenta dez novas canções, e duas regravações, no disco mais despojado de sua carreira
Foi a partir dos versos de Geraldo Carneiro para o samba A Invenção da Rosa, que Francis Hime extraiu o título de seu mais novo CD, Arquitetura da Flor, o segundo de carreira pela Biscoito Fino. Sob uma sonoridade enxuta que explora basicamente as possibilidades de um quinteto (piano, baixo, bateria, guitarra e percussão, com intervenções de sopro), em contraponto à grandiosidade orquestral que caracteriza a maioria de seus trabalhos, Francis apresenta um disco repleto de nuances, no álbum mais confessional de sua trajetória. “Procurei valorizar melodia e harmonia, dando um tratamento despojado às canções. É o disco mais prazeroso que já gravei”, resume o maestro.
Como tem sido comum em seus trabalhos, Francis apresenta um punhado de novas canções (são dez ao total), e duas regravações. Um dos músicos mais atuantes de sua geração, que se recusa a viver de glórias passadas, embora as tenha em quantidade que bastaria para mantê-lo entre os maiores compositores brasileiros sem que precisasse acrescentar uma nota a seu vasto repertório, Francis mantém sua flor renovada, arquitetando-a com a volúpia e a proficiência de um iniciante.
Arquitetura da Flor traz 6 novas composições em parceria com Geraldo Carneiro. Além de A Invenção da Rosa, que abre o disco, há Gozos da Alma (lançada por Leila Pinheiro, em 2005), e as inéditas A Musa da TV, Mais-Que-Imperfeito, Mar do Amor Total, História de Amor - esta com a participação da cantora Nina Becker, da Orquestra Imperial, num dueto que transcende quatro gerações da MPB.
Sem Saudades é uma parceria de Francis com Cartola, a partir dos originais de um antigo poema do autor de As Rosas não Falam, entregue ao maestro pela neta do sambista. O samba, composto em 2005, conta com a participação de Zelia Duncan. E como a flor é assunto recorrente na arquitetura deste álbum, a letra de Cartola endossa: “passo o dia entre as flores / o espinho pontiagudo / pela rosa faz tudo / defende-a do malfeitor / isto é que é ter amor”.
Amor e flor germinam significados complementares. É assim em O Mar do Amor Total, onde a letra de Geraldo Carneiro subverte a própria natureza: “você é perfeita, minha flor / parece feita com a surpresa da imperfeição”. Ou na poesia de Simone Guimarães, cujos versos “É tanta quimera florida / mas sempre há de ter o adeus” adqüirem a ressonância de um samba ligeiro, na genealogia do samba jazz.
Do Amor Alheio tem letra quase minimalista de Abel Silva, com melodia típica de Hime. O tema à guisa de introdução, que normalmente ganharia diversas vozes nos arranjos mais característicos de Francis, resume-se ao essencial no piano do maestro, direto como os versos de Silva: “Ah, não corresponder a quem te ama / mas se não é amor / o que em troca oferecer?”.
A parceria entre Francis e Olivia Hime costuma fertilizar os discos de um e de outro – como no caso de Canção Transparente, indicada ao Grammy Latino do ano passado, na categoria melhor canção brasileira. Desta vez, é Desacalanto, com letra de Olivia, que traz elementos como pó, água e luz para fecundar a flor amorosa de Francis (“A noite se encosta num poste de luz / em pó se desfaz / em fragmentos azuis / aos pés de um menino / a cidade afundou / levando o vazio / de quem não sonhou”).
Dentre as regravações, estão Palavras Cruzadas, feita com Toquinho na década de 80, e A Dor a Mais, última colaboração de Francis com seu primeiro parceiro, Vinicius de Moraes. Em Palavras Cruzadas, Toquinho surpreende como letrista, com achados como “Rio da ironia de uma vertical / que diz: sentimento profundo / que ilumina o mundo com seu resplendor”. Já Vinicius, mestre de todos os letristas da música brasileira, arremata bem a seu feitio: “Tens um outro amor, eu sei / mas nunca terás a dor a mais / como eu te dei / porque a dor a mais / só na paixão com que eu te amei”.
Além do piano e da voz de Francis Hime em todas as faixas, Arquitetura da Flor conta com Ricardo Silveira (guitarra e violão), Jorge Helder (baixo), Kiko Freitas e Téo Lima (bateria), Marcelo Costa (Percussão), Vittor Santos (trombone), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax e flauta), Hugo Pilger (violoncelo), Cristiano Alves (clarineta). Mar do Amor Total traz as mulheres da vida de Francis no coro: a mulher Olivia, as filhas Maria, Luiza e Joana (a neta Bibi deve reforçar o coro em breve...). A produção é de Moogie Canazio, que atesta: “este disco reforça a presença de Francis Hime onde ele sempre mereceu estar. Entre os maiores da MPB de todos os tempos”.
Compositor apresenta dez novas canções, e duas regravações, no disco mais despojado de sua carreira
Foi a partir dos versos de Geraldo Carneiro para o samba A Invenção da Rosa, que Francis Hime extraiu o título de seu mais novo CD, Arquitetura da Flor, o segundo de carreira pela Biscoito Fino. Sob uma sonoridade enxuta que explora basicamente as possibilidades de um quinteto (piano, baixo, bateria, guitarra e percussão, com intervenções de sopro), em contraponto à grandiosidade orquestral que caracteriza a maioria de seus trabalhos, Francis apresenta um disco repleto de nuances, no álbum mais confessional de sua trajetória. “Procurei valorizar melodia e harmonia, dando um tratamento despojado às canções. É o disco mais prazeroso que já gravei”, resume o maestro.
Como tem sido comum em seus trabalhos, Francis apresenta um punhado de novas canções (são dez ao total), e duas regravações. Um dos músicos mais atuantes de sua geração, que se recusa a viver de glórias passadas, embora as tenha em quantidade que bastaria para mantê-lo entre os maiores compositores brasileiros sem que precisasse acrescentar uma nota a seu vasto repertório, Francis mantém sua flor renovada, arquitetando-a com a volúpia e a proficiência de um iniciante.
Arquitetura da Flor traz 6 novas composições em parceria com Geraldo Carneiro. Além de A Invenção da Rosa, que abre o disco, há Gozos da Alma (lançada por Leila Pinheiro, em 2005), e as inéditas A Musa da TV, Mais-Que-Imperfeito, Mar do Amor Total, História de Amor - esta com a participação da cantora Nina Becker, da Orquestra Imperial, num dueto que transcende quatro gerações da MPB.
Sem Saudades é uma parceria de Francis com Cartola, a partir dos originais de um antigo poema do autor de As Rosas não Falam, entregue ao maestro pela neta do sambista. O samba, composto em 2005, conta com a participação de Zelia Duncan. E como a flor é assunto recorrente na arquitetura deste álbum, a letra de Cartola endossa: “passo o dia entre as flores / o espinho pontiagudo / pela rosa faz tudo / defende-a do malfeitor / isto é que é ter amor”.
Amor e flor germinam significados complementares. É assim em O Mar do Amor Total, onde a letra de Geraldo Carneiro subverte a própria natureza: “você é perfeita, minha flor / parece feita com a surpresa da imperfeição”. Ou na poesia de Simone Guimarães, cujos versos “É tanta quimera florida / mas sempre há de ter o adeus” adqüirem a ressonância de um samba ligeiro, na genealogia do samba jazz.
Do Amor Alheio tem letra quase minimalista de Abel Silva, com melodia típica de Hime. O tema à guisa de introdução, que normalmente ganharia diversas vozes nos arranjos mais característicos de Francis, resume-se ao essencial no piano do maestro, direto como os versos de Silva: “Ah, não corresponder a quem te ama / mas se não é amor / o que em troca oferecer?”.
A parceria entre Francis e Olivia Hime costuma fertilizar os discos de um e de outro – como no caso de Canção Transparente, indicada ao Grammy Latino do ano passado, na categoria melhor canção brasileira. Desta vez, é Desacalanto, com letra de Olivia, que traz elementos como pó, água e luz para fecundar a flor amorosa de Francis (“A noite se encosta num poste de luz / em pó se desfaz / em fragmentos azuis / aos pés de um menino / a cidade afundou / levando o vazio / de quem não sonhou”).
Dentre as regravações, estão Palavras Cruzadas, feita com Toquinho na década de 80, e A Dor a Mais, última colaboração de Francis com seu primeiro parceiro, Vinicius de Moraes. Em Palavras Cruzadas, Toquinho surpreende como letrista, com achados como “Rio da ironia de uma vertical / que diz: sentimento profundo / que ilumina o mundo com seu resplendor”. Já Vinicius, mestre de todos os letristas da música brasileira, arremata bem a seu feitio: “Tens um outro amor, eu sei / mas nunca terás a dor a mais / como eu te dei / porque a dor a mais / só na paixão com que eu te amei”.
Além do piano e da voz de Francis Hime em todas as faixas, Arquitetura da Flor conta com Ricardo Silveira (guitarra e violão), Jorge Helder (baixo), Kiko Freitas e Téo Lima (bateria), Marcelo Costa (Percussão), Vittor Santos (trombone), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax e flauta), Hugo Pilger (violoncelo), Cristiano Alves (clarineta). Mar do Amor Total traz as mulheres da vida de Francis no coro: a mulher Olivia, as filhas Maria, Luiza e Joana (a neta Bibi deve reforçar o coro em breve...). A produção é de Moogie Canazio, que atesta: “este disco reforça a presença de Francis Hime onde ele sempre mereceu estar. Entre os maiores da MPB de todos os tempos”.
sexta-feira, 17 de março de 2006
Ai! Se sêsse!...
Autor: Zé da Luz
Declamado pelo: Cordel do Fogo Encantado
!!Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!
quinta-feira, 2 de março de 2006
AMAR
Florbela Espanca
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...Além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem dizer que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso canta-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...pra me encontrar...

Eu
Florbela Espanca
Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porque...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Abaixo, essa letra é do Fantástico Paulo César Pinheiro mas, podería ser de Florbela Espanca não é?Vocês precisam ouvir a música.Quem canta é a Simone Guimarães.
Outras mulheres
(Joyce e Paulo César Pinheiro)
Meu corpo é pedra em que nascem
Corais, sargaços e líquen
Que os homens todos me abracem
Só quero aqueles que passem
Não quero aqueles que fiquem.
Gosto, meu bem, de andar nua
Me pinto feito arco-íris
Jamais me tires da rua
Porque jamais serei tua
Se tu não me repartires.
Senti paixão por um bando
Escorreguei como os peixes
Por isso eu peço que quando
Sentires que já estou te amando
Eu quero é que tu me deixes.
Sou de ceder minhas graças
Não sou aquela que queres
Pertenço ao rol das devassas
Não quero que tu me faças
Igual às outras mulheres.
Senti paixão por um bando
Escorreguei como os peixes
Por isso eu peço que quando
Sentires que já estou te amando
Eu quero é que tu me deixes
fale pedro, Já pensastem em fazer um podcast do teu programa? tenho a certeza que daria muito certo! pensa no que eu tou te dizendo, gostaria muito de um dia poder ouvir aqui em Belém a sempre ótima seleção do teu programa!
AbraçãoAry R. Rabelo
Valeu Ary, vou estudar a possibilidade.Valeu a idéia é um grande abraço.
Pedro Fernando
Ary Ribeiro Rabelo disse...
Gostaria de dar uma dica para todos que são leitores assiduos do teu blog.Se quiser ficar antenado nas atualizações do http://planetamusica.blogspot.com/Faca o seguinte:
1- entre no site http://www.rssfwd.com/
2- coloque o link http://planetamusica.blogspot.com/atom.xml no campo que vai aparecer
3- Coloque seu e-mail email@gmail.com
4- Pronto simples assim! Agora toda vez que o blog tiver alguma novidade vc vai receber por e-mail!
AbraçãoAry R. Rabelo
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Pedro Fernando
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
Guardanapos De Papel - Milton Nascimento
( Léo Masliah)
Na minha cidade tem poetas, poetas,
Que chegam sem tambores nem trombetas, trombetas,
E sempre aparecem quando menos aguardados, guardados,guardados,
entre livros e sapatos, em baús empoeirados.
Saem de recônditos lugares no ares, nos ares,
Onde vivem com seus pares seus pares, seus pares, seus pares
e convivem com fantasmas multicores, de cores, de cores,
que te pintam as olheiras e te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas partidas, partidas,
Entre mortos e feridas, feridas, feridas,
Mas rexistem com palavras, confundidas, fundidas, fundidas,
Ao seu triste passo lento pelas ruas e avenidas.
Não desejam glorias nem medalhas, medalhas, medalhas,
Se contentam com migalhas, migalhas
Migalhas de canções e brincadeiras com seus versos dispersos, dispersos,
Obcecados pela busca de tesouros submersos.
Fazem quatrocentos mil projetos, projetos, projetos,
Que jamais são alcançados cansados, cansados,
Nada disso importa enquanto eles escrevem, escrevem, escrevem,
O que sabem que não sabem e o que dizem que não devem.
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas,
Como se fossem cometas, cometas, cometas,
Num estranho céu de estrelas idiotas e outras, e outras,
Cujo brilho sem barulho veste suas caldas tortas.
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas,
Esvaindo-se em milhares, milhares,
Milhares de palavras retorcidas e confusas, confusas, confusas,
Em delgados guardanapos, feito moscas inconclusas.
Andam pelas ruas escrevendo e vendo, e vendo,
Que eles vêm nos vão dizendo, dizendo,
E sempre eles poetas de verdade enquanto espião e piram, e piram,
Não se cansam de falar do que eles juram que não viram.
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas,
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas,
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro, inteiro, inteiro,
Fossem vendo pra depois voltar pro Rio de Janeiro.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
Procura da poesia
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,não indagues.
Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e amemória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros.Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Carlos Drummond de Andrade
Mart´nália
CD: Menino do Rio
Cantora estréia no selo Quitanda, de Maria Bethânia, recriando Caetano e Melodia, e revelando a face sambista da geração de Moska e Ana Carolina.
É preciso mais que talento para, em alguns anos de carreira, reunir sobre si o respeito e o entusiasmo de nomes como Martinho da Vila, Caetano Veloso e Maria Bethânia. É preciso mais que nome para, a cada trabalho, fazer surgir como clássicos novas canções e compositores, e ao mesmo tempo prestar reverência originalíssima aos mestres do samba e afins, dentro da generosa árvore genealógica musical brasileira. É o caso de Mart´nália, que chega a seu quinto disco, Menino do Rio, o primeiro pelo selo Quitanda, de Maria Bethânia, com distribuição da Biscoito Fino. A filha de Martinho da Vila, afilhada musical de Caetano (que dirigiu seu disco Pé do meu Samba) chega agora, pelas mãos de Bethânia e do maestro Jaime Alem, ao mais diversificado de seus trabalhos. De Caetano (na recriação de Menino do Rio) a Celso Fonseca (no partido alto A Origem da Felicidade, com a bateria da Vila Isabel); de Luiz Melodia (na releitura de Estácio, Holly Estácio) a Ana Carolina (da impagável Cabide); do suingue carioca-gaúcho de Totonho Villeroy, em São Sebastião (com participação de Bethânia), ao pop dos amigos e parceiros Moska e Leoni, em Soneto do teu Corpo, passando pela balada de Guilherme Arantes, Só Deus é Quem Sabe. Dentre os que têm o samba por religião estão Martinho da Vila e Nelson Rufino, que assinam Nas Águas de Amaralina. Roque Ferreira e Jorge Agrião empunham a bandeira do samba-de-roda, na hospitaleira Casa da Minha Comadre. Das sonoridades do Recôncavo ao fundo de quintal tipicamente carioca de Boto meu Povo na Rua, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho, com participação de Arlindo Cruz, no banjo, até o ancestral Monsueto, de Casa 1 da Vila. Seja ainda como compositora - na irresistível Essa Mania, em parceria com Moska; no samba de intensa riqueza melódica Sem Perdão a Vida É Triste e Solidão, feito com Ana Costa e Zélia Duncan; nas parcerias com Paulinho Black (Pára Comigo) e Mombaça (Pretinhosidade) – ou como musa – na faixa que abre o disco, Pra Mart´nália, de Fred Camacho e Jorge Agrião -, tudo é samba na voz e no estilo de Mart´nália.
Fonte: www.biscoitofino.com.br
CD: Menino do Rio
Cantora estréia no selo Quitanda, de Maria Bethânia, recriando Caetano e Melodia, e revelando a face sambista da geração de Moska e Ana Carolina.
É preciso mais que talento para, em alguns anos de carreira, reunir sobre si o respeito e o entusiasmo de nomes como Martinho da Vila, Caetano Veloso e Maria Bethânia. É preciso mais que nome para, a cada trabalho, fazer surgir como clássicos novas canções e compositores, e ao mesmo tempo prestar reverência originalíssima aos mestres do samba e afins, dentro da generosa árvore genealógica musical brasileira. É o caso de Mart´nália, que chega a seu quinto disco, Menino do Rio, o primeiro pelo selo Quitanda, de Maria Bethânia, com distribuição da Biscoito Fino. A filha de Martinho da Vila, afilhada musical de Caetano (que dirigiu seu disco Pé do meu Samba) chega agora, pelas mãos de Bethânia e do maestro Jaime Alem, ao mais diversificado de seus trabalhos. De Caetano (na recriação de Menino do Rio) a Celso Fonseca (no partido alto A Origem da Felicidade, com a bateria da Vila Isabel); de Luiz Melodia (na releitura de Estácio, Holly Estácio) a Ana Carolina (da impagável Cabide); do suingue carioca-gaúcho de Totonho Villeroy, em São Sebastião (com participação de Bethânia), ao pop dos amigos e parceiros Moska e Leoni, em Soneto do teu Corpo, passando pela balada de Guilherme Arantes, Só Deus é Quem Sabe. Dentre os que têm o samba por religião estão Martinho da Vila e Nelson Rufino, que assinam Nas Águas de Amaralina. Roque Ferreira e Jorge Agrião empunham a bandeira do samba-de-roda, na hospitaleira Casa da Minha Comadre. Das sonoridades do Recôncavo ao fundo de quintal tipicamente carioca de Boto meu Povo na Rua, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho, com participação de Arlindo Cruz, no banjo, até o ancestral Monsueto, de Casa 1 da Vila. Seja ainda como compositora - na irresistível Essa Mania, em parceria com Moska; no samba de intensa riqueza melódica Sem Perdão a Vida É Triste e Solidão, feito com Ana Costa e Zélia Duncan; nas parcerias com Paulinho Black (Pára Comigo) e Mombaça (Pretinhosidade) – ou como musa – na faixa que abre o disco, Pra Mart´nália, de Fred Camacho e Jorge Agrião -, tudo é samba na voz e no estilo de Mart´nália.
Fonte: www.biscoitofino.com.br
segunda-feira, 30 de janeiro de 2006
Rosa Passos
Dona de um swing extraordinário, a baiana Rosa Passos é considerada pelos aficionados como a versão feminina de João Gilberto. Como o cantor, Rosa possui uma voz cálida, doce, afinadíssima. Sua simpatia e criatividade converteram-na em uma das maiores estrelas da moderna MPB, com influências do jazz e do samba.
A fama de Rosa Passos cresceu a partir do CD Curare (1991), quando se aproxima definitivamente do repertório de bossa nova, gravando temas de Tom Jobim como "Dindi", "A felicidade" e "Só danço samba". Desde então vem realizando turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão com um extenso repertório de temas próprios e interpretações de clássicos como Gilberto Gil, Djavan, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Edu Lobo, etc.
Em suas gravações e shows conta com a participação de músicos como Ivan Lins, Chico Buarque, Yo-Yo Ma e Ron Carter. Seu último CD, Amorosa (Sony Classical/2004, é uma homenagem a João Gilberto, com participações de Henri Salvador e Paquito D'Rivera.
Simone Guimarães
Biografia
A cantora, compositora e instrumentista Simone Guimarães nasceu em Santa Rosa de Virtebo, no interior de São Paulo, na fronteira com Minas Gerais. Em sua formação musical, teve influências de Tom Jobim e Villa-Lobos e suas composições variam do estilo regional ao erudito, da seresta à bossa nova. Como compositora, emplacou músicas em trilhas sonoras na televisão. O primeiro CD solo, lançado em 1996, foi resultado de uma pesquisa em torno do fenômeno da piracema. Participou do Songbook Tom Jobim, interpretando a música "Pato Preto", que fez parte do último disco lançado por Tom, "Antônio Brasileiro". Em parceria com dois violonistas — Olmir Stoker, o Alemão, e Zezo Ribeiro — gravou o disco, aínda inédito, "Cordas Versos Cordas", em 1996. No ano seguinte veio o lançamento de "Cirandeiro", pelo qual recebeu duas indicações para o Prêmio Sharp, nas categorias Melhor Cantora e Melhor Arranjo. O terceiro disco, "Aguapé", 1998, teve as participações de Elba Ramalho, Ivan Lins, Danilo Caymmi, Zé Renato e Maurício Maestro, nomes que incentivaram sua carreira. Num show que fez no Rio, em 1998, Simone Guimarães recebeu para uma canja improvisada o cantor Milton Nascimento, que estava na platéia e declarou ao final: “Não tem pra ninguém. Simone é o que de melhor eu escutei nos últimos anos." A dobradinha com o cantor foi repetida nas apresentações do show "Crooner" de Milton, em que ela apresentou-se ao lado dele para interpretar "Para Lennon e McCartney". No Songbook Chico Buarque, fez um duo com o guitarrista Hélio Delmiro, na música Desencontro. Com Sérgio Natureza compôs "O de casa", gravada por Ivan Lins CD "Um Novo Tempo".
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